Primavera e bolhas

26 mai

De volta ao trabalho… e como é difícil voltar ao trabalho depois de dias ótimos de lazer, em família e falando português, a língua em que mais me sinto a vontade!

Por sorte a semana foi bem fora da rotina. Voltei na 4ª feira e na 5ª feira já tivemos o coquetel de 20 anos do escritório. Trabalhamos durante a manhã, deixando a tarde toda para os preparativos. Gira mesa, esconde cadeira, coloca exibição de fotos em todos os monitores, recebe a comida, busca a bebida… sem contar com a melhor parte: recebemos e arrumamos 1.700 tulipas! Tulipa, há tempos, é minha flor preferida, acho ela de uma perfeição incrível! O problema é que o Brasil é quente demais pra pobrezinha, então elas parecem ter pressa pra morrer, enquanto aqui elas duram muito, e abrem de uma forma que eu não sabia que conseguiam!

O tema do coquetel era “primavera e bolhas” (se referindo às bolhas de espumante) e o escritório ficou irreconhecível!

O escritório, “vestido” de festa.

1700 tulipas, espalhadas pelos 10 cômodos do escritório.

Delícias.

Ah, se fosse assim todos os dias…

Como algumas festas por aqui, essa tinha hora pra começar e hora pra acabar, das 19 às 21, mas acabou se prolongando até quase 23 horas. Como bons suecos, não deu 10 minutos antes das 19 horas e os convidados chegaram em peso. Tivemos cerca de 70 convidados presentes, desde antigos colegas de universidade dos donos do escritório até clientes que já fizeram 5 projetos com eles. Conhecí crítico de um dos jornais principais daqui (o DN, que eu assino e leio religiosamente todos os dias), violonista da filarmônica, clientes com quem eu já tinha tido contato, etc. Foi um clima super agradável, a noite toda! Infelizmente não tenho fotos do “durante”, só do antes, mas ao menos posso “apresentar” um pouco do pessoal que trabalha comigo.

Esperando os convidados com a casa pronta: Tina, Olle (chefe), Otto, eu e o marido da Tina.

Kristina (chefe), Tina, Maria, Olle (chefe), marido da Tina, Petra e Bo.

Otto, Sandra e Bo.

Dan e eu.

Chegando ao fim, dividimos uma parte dos resto, e lá voltei eu pra casa. No metrô, comigo, 1kg de queijo brie, 2 vasos com tulipas, duas sobremesas, “livro-souvenier” com projetos do escritório e uma garrafa de espumante, que prometi pro Erik não abrir até que ele entregue o trabalho de conclusão de curso dele (semana que vem!). rsrs

No dia seguinte ainda fomos almoçar no parque, aproveitar o sol que tem teimado em aparecer todos os dias (delícia), com comidas, cerveja e espumante. Super agradável!

Petra, Kalle, MAria, Olle, Dan e Bo.

Petra, Kalle, Maria, Olle, Dan e Bo.

E agora a parte menos festiva… eu tinha pedido pra responsável pelo RH do escritório me avisar quando eles tivessem uma posição sobre eu continuar ou não trabalhando pra eles depois de julho. Coincidência ou não, ontem tive minha “reunião de desenvolvimento” com ela, uma reunião onde cada um vê seu rendimento em estatísticas, recebe feedback, dá seu ponto de vista sobre o escritório, etc.  Nessa reunião ela disse que conversou com os donos durante a semana toda e por fim tomaram a decisão de não me contratar. Nos próximos meses dois arquitetos voltam da licença paternidade e uma da licença maternidade, ou seja, vão estar com a casa cheia. Sendo assim, eles preferem contratar um estagiário, que custa menos do que eu, formada.

Por um lado, acho uma pena porque gosto bastante do clima do escritório. Todo mundo se ajuda e o ritmo é mais lento do que eu experimentei no Brasil, então dava pra aprender bastante ao invés de só correr pra cumprir prazos. Por outro, desde o início eu falei que não era o escritório dos meus sonhos, que tem muito interiores, coisa que eu não aprendi na universidade, além de tudo girar em torno do estilo do meu chefe (que não é o mesmo meu).

Pensando positivo, então: tem sido uma ótima experiência pra mim e foi minha porta de entrada no mercado de trabalho sueco. Agora é caminhar pra frente! Meu contrato vai até as férias deles (começo de julho) e nesse final de semana já vou trabalhar na atualização do meu CV e portfólio, que já vai estar recheado de projetos suecos! Torçam por mim!

Visitando os vizinhos, me sentindo em casa.

26 mai

Família e viagens, pra quê combinação melhor?

Há uma semana e meio recebemos meu pai, minha madrasta Marília, o filho Max e a nora Tatiana em Estocolmo. Como é gostoso ter um pouco de Brasil por aqui! E como a gente vai ficando cego pras coisas do dia-a-dia, até que vem alguém de fora e diz “olha isso, como é diferente!” e dá mais uma vez um “plin” dentro do nosso cérebro! Rsrs

Bater perna é comigo mesmo e foi isso que eu forcei as companhias a fazerem! Eu acho que a pé a gente consegue ter uma sensação melhor do que é realmente a cidade, de como as coisas funcionam, como as pessoas se comportam… a gente vê tudo num ritmo mais lento, consegue prestar atenção e absorver o que vê. Assim passeamos pela parte antiga da cidade (Gamla stan), onde eu me apaixonei mais uma vez pela arquitetura, assim como as visitas. Na volta, passamos pela praça principal (Sergels Torg), almoçamos num restaurante no parque Kungsträdgården… tudo enquanto o Erik fazia as compras de mercado e preparava a janta aqui em casa.

Eu, pai e Marília na Sergels torg.

Com Max e Tatiana na Kunsträdgården.

Meus prédios preferidos da cidade antiga. :)

Pai e eu, na cidade antiga. Saudade!

Sorte que esse primeiro dia foi bem aproveitado, porque no dia seguinte meu pai se envolveu em um acidente e passamos longas horas no hospital com ele. Forte como sempre, se recuperou rápido, mas nos privou da companhia dele e da Marília na viagem a Oslo no dia seguinte.

Oslo foi mais ou menos o que eu esperava: uma pequena Estocolmo. Acho Suécia, Dinamarca e Noruega países muito parecidos, tanto em termos de cultura e língua como em termos de natureza (sendo a última bem mais montanhosa dos que as duas primeiras). Dito e feito, me virei com o sueco e não esqueci nem por um minuto que eu estava ainda na Escandinávia. Se por um lado eu acho Estocolmo mais charmosa, por outro Oslo é mais inovadora quando se trata de arquitetura contemporânea. Além de bater perna (eu sei, de novo) pela região central da cidade e ver a bagunça nas ruas na festa da independência norueguesa (independência da Suécia, diga-se de passagem), fizemos um passeio de barco, visitamos o museu viking, o museu do prêmio Nobel (o prêmio da paz é entregue em Oslo e os demais em Estocolmo) e a famosa Ópera de Oslo. Rendeu bastante, pensando que tivemos cerca de 24 horas por lá.

Opera de Oslo, felicidade arquitônica!

Ainda na opera, aproveitando o sol em boa companhia — agora com bigode, não percam…porque logo eu mando tirar! rsrs

As ruas (com o castelo ao fundo) todas decoradas no dia da independência.

Erik paparazzi no restaurante do Museu Nobel, esperando pelo salmão.

Moro na região certa do mundo pra comer meu peixe preferido sem limites!

Voltamos a Estocolmo, desfiz as malas e refiz, dessa vez pra voltar às raízes, visitar a Alemanha dos nossos antepassados. Meu pai cresceu com a língua alemã em casa, aprendeu português quando começou a ir a escola, então a ligação dele é ainda mais forte com o país do que pra mim, e eu adoro ver como ele se sente em casa na Alemanha. Foi minha segunda vez lá, primeira em Berlim e continuo também adorando o país! É uma cultura mais relaxada do que a sueca, com mais diversidade. Não conheço a fundo pra falar muito, mas me sinto bem lá. Vocês agüentam ouvir falar mais uma vez em “bater perna”? Pois foi o que fizemos durante a maior parte do tempo, descobrindo o que Berlim tinha pra nos oferecer: muita história, comida deliciosa, clima ótimo (quase 30 graus e sol todos os dias), povo simpático… Berlim influenciou muito, sofreu muito, se transformou muito, coisa que eu estudei também muito na universidade, nas aulas de Urbanismo e História da Cidade. Estar numa cidade assim é uma aula de história em si. Adorei, e tenho fotos pra comprovar!

Checkpoint Charlie, em frente ao Museu do Muro, que eu adorei conhecer!

Descansando (durou pouco!) no Memorial/Museu do Holocausto.

Pai e Marilia em frente a maior igreja protestante de Berlim. Dias lindos e ensolarados!

As ótimas companhias seguem viagem, rumo ao oeste europeu, enquanto eu volto com um sorriso no rosto pro meu maridinho e minha doce vida em Estocolmo, já sonhando com o próximo reencontro.

Retrospectiva já no início do ano…

25 mar

Quanto mais tempo eu passo sem escrever, mais difícil fica de começar! Acontece tanta coisa entre um post e outro que por fim parece que preciso contar tudo e aí me bloqueio, não sai uma palavra! Decidi, então, ir com calma e contar uma ou outra coisa, e tentar demorar menos pra sentar aqui mais uma vez e escrever pra vocês. Já recebi também vários puxões de orelha da minha mãe por não postar (nem tirar!) fotos, então agora vou colocar o que tiver. E já aviso que vou contar de trás pra frente, acho que aqui entra o fator psicológico… se eu começar com “uma vez, lá em 1980” vocês vão cansar, mas talvez se eu falar de 204 primeiro, vocês agüentem. Rsrs Brincadeira, tanto assim não tenho pra contar, ainda passo mais de 8 horas diárias no escritório e a Suécia não é lá a rainha das surpresas.

Recebemos duas visitas esse mês. A última foi da primavera. Sei que essa semana, quando minha mãe ligou e perguntou como estava o tempo, eu respondi que estava lindo, ensolarado e quente! Devolvi a pergunta pra ela, que me respondeu que estava muito mais fresquinho, com uma brisa boa e tudo. Convenhamos, todos nós sabemos que o meu “calor” é muito mais frio que o “fresquinho” dela. Acho que tudo nessa vida é mesmo relativo. 10 ou 15 graus pra quem estava com graus negativos é quase verão! Enquanto que menos de 30 pra quem agüentava o calor de perto dos 40 graus é mesmo já “fresquinho”. Ao menos não estou sozinha na minha “mentira”, tenho mais cerca de 9 milhões de pessoas compartilhando o meu faz de conta! As últimas duas semanas foram de sol e ótimas temperaturas (de novo, relatividade!) e já dá pra perceber a diferença na cidade e no humor do povo! As mesas dos cafés já foram pras ruas e é difícil achar mesa vaga na hora do almoço. No escritório a gente almoça e corre pra rua, compra um café/chá e senta no parque pra conversar e sentir o sol. Em casa a gente sonha em usar a sacada (precisa de uns grauzinhos a mais, só!) e hoje fomos dar uma passeada, com direito a waffles em volta do lago. É uma delícia ver todod mundo aproveitando, ninguém fica em casa num dia de sol, e se fica, morre de peso na consciência!

Estocolmo ontem a tarde. O povo todo na rua, desde bebês nos seus devidos carrinhos até idosos com seus andadores. Lindo!

Alguém não vai gostar de eu ter colocado essa foto, mas era a única nossa de ontem... rsrs

Waffles no passeio de hoje, ao redor do lago.

E a visita antes dessa já tinha me aquecido antes do sol chegar: amigos de Floripa! Uma das minhas melhores amigas do Brasil e o namorado vieram nos visitar e explorar Estocolmo! Não sei o que foi melhor, se foi matar a saúde, se foi ter companhia com o mesmo “background” meu, se foi poder mostrar a minha Estocolmo, se foi perceber como é a Estocolmo deles (casa um tem sua visão das coisas, adoro isso, estica a minha percepção do meu próprio dia-a-dia!)… só sei que foram dias lindos, até o tempo colaborou! Foi engraçado que eu sabia que eles estavam em Paris por um tempo, mas não tínhamos planos concretos de nos ver até que, numa tarde no trabalho, recebi uma mensagem no celular do tipo “vocês vão estar aí nos dias tal, tal e tal?” Respondí que sim, que queria eles aqui, e umas 2 horas depois recebi a resposta, contando que as passagens estavam compradas! Amei, mas fiquei mimada, já quero mais!

Eu, Mari e Jonathas, esperando o trem.

Estocolmo continua linda e ainda mais gostosa com boas companhias. Prefeitura no canto esquerdo da foto.

Os dois casais, no café do museu de arte moderna + museu de arquitetura, onde a maior atração foi a lojinha. rsrs

E voltando um pouquinho mais, pro mês passado, aconteceu em Estocolmo a Feira de Design e Iluminação, que é anual. Choveram convites no escritório, tanto pra feira como pros eventos paralelos. Escolhemos os melhores e nos jogamos! O design escandinavo é conhecidíssimo no mundo das artes e, a meu ver, eles não se saíram mal de novo!  O pessoal do escritório achou um pouco repetitivo, mas pra mim, que não estava acostumada a ver tanto design de qualidade junto, foi um paraíso! Fora isso, os eventos também foram divertidos e pude conhecer melhor meus colegas fora do ambiente de trabalho, já com o teor alcoólico um pouco alterado. rsrsrs

Já peço perdão pelas fotos fora de foco, tirei com o celular e acho que ele ficou confuso com tanta diferença de luminosidade entre um stand e outro, só pode!

Dois colegas do escritório e uma amiga de um deles (italiana) num dos eventos paralelos.

Outro evento paralelo, onde uma banda conhecida sueca fez a performance usando produtos. O microfone, por exemplo, estava embutido numa luminária.

Agora “andando” pra frente, tenho bastante me esperando nos próximos meses: visita de uma parte da família brasileira (já temos mil planos!), festival de música (com direito a David Guetta, Tiësto, Axwell…), jogo amistoso Brasil x Suécia, contrato de trabalho (ou no escritório onde estou ou em um novo)… ah, sim, e uma primavera e verão inteiros pra eu me vingar do verão perdido no Brasil!

Casa Nova Vida Nova

5 fev

Conseguimos o apartamento! Na reunião de condomínio ninguém se opôs e no último domingo nós nos mudamos!

Primeiro vou voltar a parte do aluguel, depois conto sobre esse apartamento onde estamos amando morar!

Conversamos com a dona algumas vezes na semana passada (pra assinar contrato, decidir quando nos mudaríamos, etc.) e ela nos contou que no dia em que colocou o anúncio no site recebeu mais de 50 respostas! Deu pra ter uma idéia do tamanho da procura por imóveis na “Grande Estocolmo”? Ela tirou o anúncio do ar no dia seguinte e, por sorte, muita sorte, nos escolheu dentre os mais de 50.

A cidade pra onde nos mudamos se chama Täby e a nossa estação de trem (a cidade tem umas 4) fica a 20 minutos de Estocolmo. Resumindo, fica na metade do caminho entre a casa dos sogros e Estocolmo, o que me poupa tempo pra chegar no/do trabalho e não precisamos mais de carro. Engraçado como em Floripa eu não abria mão do carro e aqui eu faço de tudo pra não precisar! Quer dizer, engraçado é muito pouco, pensando que tudo isso é um reflexo da qualidade do sistema de transporte público. Toda manhã eu saio de casa, caminho nem 5 minutos até a estação, 20 minutos até entrar em Estocolmo, mais uns 5 minutos de metrô (ou nem isso) e mais um minuto a pé até o escritório. Nada mal pra quem mora em outra cidade, certo? Em Floripa, pequena do jeito que é, se leva mais do que isso pra ir de ônibus do Campeche à universidade, por exemplo.

O por quê de termos escolhido morar na Grande Estocolmo e não em Estocolmo em si: a oferta aqui “fora” é maior e o preço é muito menor! Considerando que em um ano queremos comprar um apartamento e precisaremos dar cerca de 20% de entrada, queremos economizar. Fora isso, eu ainda tenho um contrato temporário e o Erik ainda não se formou, ou seja, estabilidade zero! Rsrsrs

Falando em preços, então. Um apartamento de 1 quarto, fora de Estocolmo mas perto de metrô/trem, não sai por menos de 2000 reais. Já em Estocolmo, por esse preço, dificilmente se consegue algo maior do que uma kitnet! Aqui está um exemplo de uma kitnet, bem localizada em Estocolmo, 31 metros quadrados. Dez mil coroas por mês, o equivalente hoje a 2550 reais.

Então é isso, preferimos pagar menos agora pra guardar dinheiro pra comprar onde a gente queira depois, mas por enquanto estamos felizes com o nosso na Grande Estocolmo!

Agora vamos ao que é nosso, que é mais divertido! Rsrsrs Estamos num apartamento de 1 quarto, 58 metros quadrados, recém reformado, mobiliado, com internet, TV a cabo e energia inclusas. E se energia é algo importante no Brasil, imaginem num país onde faz frio (-15°C ontem) e de usa calefação 24 horas. Como na grande maioria dos prédios por aqui, no térreo temos uma lavanderia (duas salas com máquinas de lavar, secar, centrífuga…). Atravessando a rua temos o centrinho do bairro com mercado, restaurantes, loja de calçados e massagem tailandesa! Rsrs

Como nos mudamos no domingo, passamos a semana colocando cada coisa no seu lugar, até que hoje, finalmente, tive coragem de tirar fotos pra apresentar o nosso novo cantinho. Só não tirei do hall pequeno e do quarto, onde eu tenho minhas camisas pra passar e roupa de cama pra trocar. rsrs

Nos demos conta essa semana que esse é o primeiro lugar que a gente procura e aluga juntos. Antes disso, o Erik morou comigo no meu apto no Brasil, depois eu no dele em Luleå, depois os dois na casa dos sogros… parece que agora sim a vida juntos começou, de um jeito que a gente pode escolher, inventar.

Imagem do site "hitta.se". Nós moramos no "número 6", perto da água, de um parque e de muito verde (ultimamente branco, com muita neve).

Nosso prédio é esse da direita e nossa rua é sem saída, o que significa tranquilidade!

Hall maior, com espelho, armário e a escadinha pra livros/enfeites. O hall menor (que não aparece aqui), é pra casacos e sapatos.

Cozinha fofa, recém-reformada. Por aqui só o Erik tem cozinhado, adoro!

O "outro lado" da cozinha. rs

Sala de jantar/estar/festas/filmes...

Namorado, que (sorte dele!) combina com o apartamento.

Banheiro, com o único inconveniente de não ter tomada! Incrível, lembro que no de Luleå também não tinhamos...

FELIZES!!!

Aluguel de apartamento: Missão (quase) Impossível

15 jan

Imagino que ninguém vá discordar de mim se eu disser que a gente vê o mundo de acordo com as experiências que teve. Pois a minha experiência sobre aluguel de apartamentos era a seguinte:

1)      Tu precisa de um lugar pra morar.

2)      Tu vai até uma imobiliária e diz que tipo de imóvel tu procura.

3)      A imobiliária te mostra os imóveis disponíveis.

4)      Tu escolhe um e leva tua mudança pra dentro.

Desses 4 itens, só o primeiro é verdade por aqui! Essa minha experiência anterior só gerou ansiedade em mim desde que voltei pra cá! A realidade aqui é outra, ao menos nos grandes centros urbanos. Ainda não tenho muita experiência no assunto, mas vou explicar pra vocês o que eu até agora consegui entender do mercado imobiliário daqui.

Então tu precisa de um apartamento. Tu tem a opção de comprar e alugar. Nós queremos alugar primeiro e depois comprar, por alguns motivos: não temos ainda salário fixo (lembrem que meu contrato é de 6 meses), não temos dinheiro pra dar de entrada, não conhecemos todas as regiões de Estocolmo pra saber qual escolher, etc. Pensamos em comprar daqui a um ano e não queremos continuar morando na casa dos meus sogros até lá. Ok, então caímos no aluguel.

Pra quem acha que a Suécia é perfeita, esse é um exemplo de que perfeição não existe. O governo sueco deu bobeira e o número de pessoas se mudando pra grande Estocolmo supera em muito o número de novas habitações construídas, isso já há anos! Sendo assim, a procura é imensa e a oferta é magra. A procura de um apartamento pra alugar, temos 5 opcões: alugar através de algum conhecido, alugar através da lista controlada pelo governo, alugar através de imobiliária, alugar diretamente de algum desconhecido ou alugar diretamente de algum desconhecido que já aluga o apartamento. Aviso desde já que nenhuma das 5 opções são fáceis!

Pelo que entendi, cada imobiliária tem que colocar um percentual dos seus imóveis para alugar através de um sistema regulado pelo governo. Por esse sistema, quem quer alugar um imóvel entra numa fila e espera sua vez. Eu e o Erik estamos nessa fila há alguns anos e não conseguimos alugar nada. Nós entramos no website onde os apartamentos estão cadastrado e escolhemos um apartamento que nos interessa. Depois de escolher, podemos ver quantas pessoas estão interessadas pelo mesmo apartamento e quando a 1ª pessoa da fila praquele apartamento entrou na fila geral. Gostamos de um, por exemplo, em que a 1ª pessoa da fila entrou na fila geral em 1984! Ou seja, eu que nasci em 1985 nem tive chance! Rsrsrs

Ok, então através da lista nós não temos chance. Melhor continuar nela pra quando tivermos filhos queremos sair de casa, aí sim eles poderão escolher o apartamento que quiserem!

Através de imobiliária também não é fácil, de novo por causa da enorme procura. Existem sites como o FixaKontraktet.se (algo como “ArrumeContrato”), onde a pessoa se cadastra e assim que entra um imóvel no mercado (de qualquer imobiliária) ela recebe uma mensagem de texto no celular avisando. Aí é correr pro computador e torcer pra ser o 1º a chegar! Nos cadastramos nesse site e o Erik ficava sempre estudando com o celular do lado. Teve apartamento que ele enviou pedido em 2 minutos e já foi tempo demais, não conseguimos. Imaginem a loucura!

Alugar através de algum conhecido é talvez a opção mais simples, mas como nenhum conhecido nosso tem imóvel pra alugar, então continuamos no zero a zero.

E então a 4ª opção, alugar de alguém que aluga (aluguel de “segunda mão”, como eles chamam aqui). Ou seja, alguém aluga um imóvel e por algum motivo não vai morar ali por um período, mas também não quer rescindir o contrato porque pode precisar do imóvel mais pra frente, e aí não vai querer passar por todo essa trabalho que estamos passando de novo. O problema desses imóveis é que nunca se sabe por quanto tempo ele vai estar disponível, pode ser que depois de 3 meses se precise desocupar, então tentamos fugir dessa opção.

Por último, a 5ª opção: alugar de desconhecidos (que são donos do imóvel). A Suécia tem um site que hoje já existe em vários países, que se chama Blocket. O Blocket é uma espécie de MarcadoLivre, onde as pessoas anunciam compra e venda de móveis e imóveis e ainda troca de imóveis. Troca temporária de imóveis é uma coisa bem interessante na Suécia, mas isso é assunto pra outro post. Por semanas, então, eu e o Erik olhávamos o Blocket e enviávamos e-mail pros apartamentos que nos interessavam: apartamentos de 1 quarto, perto do centro ou perto do trem/metrô. É engraçado que não é um simples e-mail que se manda, falando que se tem interesse, é mais como uma entrevista de emprego! São tantas pessoas interessadas que a gente tem que dar um jeito de se sobressair. Enviamos foto, contamos o que fazemos nas horas vagas, qual nossa profissão… fizemos isso pra mais de 20 apartamentos e só 3 responderam! A boa notícia é que hoje fomos visitar um deles, o que mais gostamos da descrição. Amamos o apartamento e a localização! A dona gostou da gente, agora é só esperar que os vizinhos nos aceitem na reunião de condomínio no fim desse mês! Se der certo eu volto pra falar mais dele, aí também incluo valores de aluguel no centro e nos arredores de Estocolmo.

Esse apartamento está pra vender no prédio ao lado, é a mesma planta do "nosso".

E é isso! Essa é a saga do aluguel do apartamento, que por um bom tempo me pareceu missão impossível. Estamos há 2 meses e pouco procurando apartamento, podendo pagar aluguel e não tendo pra onde ir. Espero tudo se resolva dessa vez e que a gente possa se mudar em poucas semanas!

E antes de me despedir, preciso dizer que vontade de escrever no blog não falta. O que acontece é que eu trabalho até as 17:30, voltei a ir pra academia e na volta pra casa tenho banho pra tomar, janta pra comer e um namorado pra ficar junto. Sobra mesmo pouco tempo. No fim junta tanto tema que eu queria abordar aqui e ler as impressões de vocês que eu acabo me perdendo! Deixo aberta, então, a parte de comentários pra que vocês me digam se tem algum tema sobre o qual vocês tem curiosidade, sobre o qual vocês queiram saber um pouco mais, do meu ponto de vista, ok? Se não, continuo escolhendo da minha lista aleatória. :)

“Caixas de comida”

17 dez

O trabalho vai bem, o namoro também e Estocolmo está sem um pingo de neve (floco, pra ser mais exata, e isso descaracteriza completamente o natal), então decidi falar hoje de um serviço relativamente novo na Suécia mas que parece que chegou pra ficar.

“Caixas de comida”! Nada de comida pronta congelada, o esquema é completamente outro – um pouco menos prático mas muito mais saudável.

Há algumas semanas meus sogros contrataram esse serviço e temos adorado. Já são várias empresas no mercado que fazem esse esquema e nós conhecemos várias pessoas que adotaram e também adoram.

Funciona da seguinte forma: por um valor mensal tu recebe em casa todo domingo a noite um papel com 5 receitas e uma caixa com todos os ingredientes necessários! Se pode optar por receitas pra 2 ou 4 pessoas e também empresas que fornecem tudo e empresas que fornecem o básico mas não fornecem, por exemplo, os temperos necessários. A que meus sogros escolheram entrega tudo e ainda usa vários produtos orgânicos.  Ah sim, e além dos ingredientes ainda vem umas 10 ou 15 frutas pra se comer entre refeições.

Caixas da empresa Matlycka.

Isso acaba com o estresse de planejar as refeições da semana e passar no mercado depois de um dia cansativo de trabalho. Recebemos tudo com as porções necessárias pras refeições e o Erik tem cozinhado pra gente, já que é o único que tem trabalho de casa por enquanto.

Dá pra cancelar alguma semana em que não se esteja em casa, por exemplo, nós cancelamos para a semana entre natal e reveillon, já que vamos estar na casa das montanhas.

Eu não costumo jantar comida “de verdade”, prefiro frutas com cereal, mingau, etc. Isso significa que sobra 1 porção (normalmente até mais), que eu levo pro trabalho no dia seguinte pra almoçar. Está aí outra diferença entre o ambiente de trabalho sueco e brasileiro: aqui a maioria leva “lancheira”. Rsrs Comer fora é caro, então a grande maioria dos escritórios oferece cozinha onde o pessoal esquenta suas marmitas e almoca juntos. Lembro que na universidade de Luleå os prédios também tinham uma área com tipo 6 microondas, onde o pessoal se amontoava na hora do almoço.

Pra que vocês tenham idéia de preços desse serviço de “caixa de comida” (“matkasse” em sueco), a empresa Matlycka cobra SEK 785 = R$208 pela caixa por 5 refeicões para 4 pessoas, enquanto a empresa Linas Matkasse cobra  SEK 749 = R$199 pelo mesmo serviço. Ou seja, R$10 por pessoa por refeição, o que na Suécia é um bom negócio, além de se economizar com gasolina, tempo e neurônios!

Uma semana a menos para a aposentadoria

4 dez

Sobrevivi à minha 1ª semana de trabalho! Sobrevivi e vivi, porque aproveitei e gostei!

Cidade encantadora (a uma quadra do trabalho)

Cheguei ao escritório na 2ª feira e recebi muitas instruções, sobre como tudo funciona no escritório. Recebi chaves e código do alarme. Recebi um iPhone que posso usar pra uso pessoal com a única restrição de não ser usado pra chamadas internacionais. Recebi um fichário com instruções que vão desde como preencher o software das horas trabalhadas até as normas suecas pra se conseguir o habite-se. Tudo isso e muito mais informações, deu pra ficar um pouco zonza mas também deu pra ter noção de como as coisas acontecem lá dentro.

Pouco depois da minha chegada eu já percebi que esse escritório não é exceção na Suécia no quesito “pausas pra lanche”. Aqui na Suécia essas pausas, chamadas “fika”, são levadas a sério (e olha que são os períodos menos sérios do dia) e existem estudos que comprovam que os trabalhadores rendem mais quando tiram esses minutinhos pra bater papo e relaxar. Dito e feito, às 10 da manhã e às 3 da tarde o povo se encaminha pra cozinha, pega um café (nada estranho sendo que o povo sueco é o segundo que mais consome café per capita no mundo), alguma comidinha e fica de papo por uns 20 minutos. Acho que nem preciso dizer que fui o assunto principal, que me bombardearam de perguntas sobre o Brasil, já que eu era a novidade da semana. Alguns “fika” depois (lembrem que foram 10 essa semana), pude perceber que não só é um momento pra relaxar como também é um momento social, além de troca de informações sobre os projetos em que cada um está envolvido.  Ou seja, benéfico e uma delicia!

Toda 2ª feira é também dia de reunião. Tiramos 1 hora pra cada um falar sobre o andamento dos projetos que está fazendo. Nessa reunião também são discutidos os dias de folga que cada uma vai tirar, os cursos que estão fazendo, as mudanças que precisam ser feitas no escritório, etc. Achei incrível tudo isso ser discutido por todos e pensei que se algum desconhecido entrasse na sala durante a reunião não iria fazer idéia de quem era chefe e quem era empregado. Quando fiz intercâmbio em Luleå em 2009 eu estudei uma matéria que se chamava “Ambiente de Trabalho Internacional” e lá aprendi algumas diferenças entre Brasil e Suécia que eu não fazia idéia. Uma das diferenças eu pude comprovar já nessa reunião, que é a linearidade nas empresas suecas, em contraste com a alta hierarquização brasileira.

E alguém já ouviu falar em chefe comprando álcool pros empregados? Rsrsrs Eu não tinha, até 6ª feira! Todas as 6ªs feiras a comida durante os famosos “fika” é mais gostosa, é algo especial, e nessa a chefe comprou também “glögg”, uma bebida típica do natal sueco, muito parecida com o nosso quentão das festas juninas.

O horário de trabalho também é flexível. Podemos chegar entre 8 e 9 da manhã, e trabalhamos 8 horas por dia. Caso precise sair mais cedo, se compensa em outros dias. As agendas de todos também estão disponíveis pra gente, então sabemos quando cada um tem uma reunião ou compromisso (por exemplo, buscar as crianças na escola no meio da tarde).

Surpresinha deixada em todos os computadores por uma colega na 4a feira.

Durante a semana já me colocaram pra fazer um modelo 3D de um projeto que está nos estágios iniciais, então construí as 3 alternativas que os arquitetos tinham pensado em 2D. Na 6ª feira já participei da reunião onde mostraram as 3 alternativas pros clientes. Ta aí mais uma prova da falta de hierarquia? Eu, recém chegada no escritório, com contrato ainda temporário, só tendo feito os modelos 3D, já participando da reunião com clientes importantes. Acho que esse envolvimento nos dá ainda vontade de fazer o trabalho bem feito, faz a gente realmente se sentir parte do projeto e perceber a responsabilidade que a gente tem, muito diferente de alguém que trabalha só atrás do seu próprio computador e não vê as outras etapas acontecendo.

Na 6ª feira teremos a confraternização de fim de ano, como falei no último post. Fiquei sabendo essa semana que durante a tarde vamos todos do escritório fazer um “passeio de estudos”, ou seja, visitar algumas obras quase prontas.

Enfim, termino dizendo que estou super feliz em trabalhar justamente naquele escritório! A impressão que fica depois de uma semana de trabalho é que é um escritório sério, organizadíssimo e que preza as relações humanas. Mais do que isso não posso pedir.

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